Encontrar um cão abandonado na estrada, junto a um caixote ou à porta de casa é uma situação que apanha muita gente de surpresa. O coração pede para agir depressa, mas o que fazemos nos primeiros minutos conta muito, tanto para o animal como para a nossa segurança. Estes são os passos que recomendamos.

1. Pare, observe e proteja-se

Antes de se aproximar, olhe com calma. O animal parece ferido? Está agressivo, assustado ou apático? Há trânsito por perto? Um animal em sofrimento ou com medo pode morder, mesmo que seja manso por natureza. Não o agarre de repente e evite gestos bruscos.

Aproxime-se devagar, de lado, sem o fixar nos olhos, e fale baixo. Deixe que seja ele a decidir se se aproxima. Se estiver numa estrada movimentada, o primeiro objetivo é tirá-lo do perigo sem se pôr a si em risco.

2. Perceba se está mesmo abandonado

Nem todos os animais sozinhos foram abandonados. Muitos fugiram há pouco e a família anda à procura. Alguns sinais ajudam a perceber:

  • tem coleira, peitoral ou medalha com contacto;
  • está limpo e com bom aspeto, o que sugere que se perdeu há pouco tempo;
  • anda desorientado, a farejar, como quem procura o caminho de casa.

No caso dos gatos, tenha ainda mais cuidado. Uma gata com crias raramente as abandonou: costuma estar por perto à procura de comida. Se encontrar gatinhos pequenos, observe de longe durante algumas horas antes de mexer neles.

3. Garanta segurança e conforto

Se o animal se deixar aproximar, pode prendê-lo com uma trela ou uma corda improvisada e levá-lo para um sítio calmo e fechado, longe de estrada e de outros animais. Em dias frios ou chuvosos, uma manta e um espaço abrigado fazem muita diferença.

Ofereça água fresca em pouca quantidade. Quanto à comida, dê pouco e simples, e nunca lhe dê medicamentos nem tente tratar feridas por conta própria. Se parecer ferido, doente ou muito magro, leve-o ao veterinário o mais depressa possível. É o veterinário que decide o que fazer e que tratamento é necessário.

4. Procure a família

Antes de pensar em adoção, vale a pena tentar encontrar quem o perdeu:

  • peça a um veterinário que verifique se tem microchip;
  • tire boas fotografias e partilhe-as nas redes sociais e em grupos locais de animais perdidos;
  • pergunte aos vizinhos e aos comércios da zona;
  • afixe cartazes no local onde o encontrou.

Muitos reencontros acontecem nos primeiros dias, por isso não demore a divulgar.

5. Evite as ideias que parecem boas mas complicam

Há reações bem-intencionadas que acabam por prejudicar:

  • Levar o animal para casa sem pensar se já tem outros animais. Um recém-chegado pode trazer parasitas ou doenças e tem de ficar separado até ser visto pelo veterinário.
  • Deixá-lo à solta "para ver se volta" quando está numa zona perigosa.
  • Alimentá-lo muito logo de início. Um animal que esteve dias sem comer deve voltar à alimentação aos poucos.
  • Dar-lhe um nome e prometer a si próprio que fica antes de saber se tem família. É natural apegar-se, mas convém manter a cabeça fria.

6. Peça ajuda a quem sabe

Cuidar de um animal encontrado exige tempo, espaço e dinheiro, e nem todos podemos assumir isso sozinhos. Fale com associações e grupos de proteção animal da sua zona, com o veterinário e com pessoas que possam ficar com ele temporariamente. Quanto mais cedo pedir ajuda, mais opções existem.

Pode também contactar-nos. Os lugares nos santuários e nas associações são limitados e cada situação é diferente, por isso a equipa avalia caso a caso e diz-lhe o que é possível fazer e que alternativas há. Use a página de contactos.

E depois?

Se não aparecer ninguém e decidir ficar com o animal, o caminho é o de qualquer adoção: pensar no tempo, na casa e nos custos de uma vida inteira. Escrevemos sobre isso em Adotar com responsabilidade. Para perceber o que acontece a um animal depois de chegar a um abrigo, leia Do resgate à adoção.

Como pode ajudar

Nem toda a gente pode acolher um animal, mas todos podem fazer alguma coisa por quem não tem casa: