Quando se fala em proteção animal, a primeira imagem que surge é quase sempre a de um canil à espera de adoções. Um santuário é outra coisa: é um lugar onde os animais que não podem seguir para uma família vivem o resto da vida, com espaço, cuidados e quem os conheça pelo nome.
Uma casa, não uma passagem
Num canil ou num abrigo, o objetivo é que cada animal fique o menos tempo possível. No santuário, muitos dos residentes vão ficar connosco para sempre. Uns por idade, outros por doença crónica, outros porque o feitio que trazem de anos de abandono ou maus tratos não lhes permite viver numa casa comum. Não são animais de segunda: são animais que precisam de outro tipo de casa.
Por isso, o santuário não se mede pelo número de adoções, mas pela qualidade de vida de quem cá vive. Cada residente tem o seu canto, a sua rotina e as pessoas em quem confia.
Não são só cães
No Santuário Animais sem Fronteiras, em Alcochete, vivem cães de várias raças e idades, mas também cavalos, porcos, vacas, cabras, ovelhas, bodes e gatos. Animais de quinta resgatados raramente encontram família: precisam de terreno, abrigo adequado e cuidados específicos que poucas pessoas podem dar. Aqui têm tudo isso.
O que o dia a dia exige
Manter um santuário é um trabalho de todos os dias, sem feriados:
- Alimentação adaptada a cada espécie, idade e estado de saúde, incluindo o feno que tem de estar guardado antes do inverno.
- Cuidados veterinários: vacinas, desparasitações, cirurgias e medicação crónica dos mais velhos.
- Abrigos limpos, água fresca e camas secas, faça chuva ou sol.
- Atenção: passeios, escovagens, brincadeira e tempo. Um animal que recupera a confiança nas pessoas precisa, acima de tudo, de constância.
Os que podem, seguem para uma família
O santuário não fecha a porta à adoção. Os animais que estão prontos para uma casa procuram família, e a associação continua por perto depois da adoção. Os que não podem ser adotados ficam, e é aí que entram os padrinhos, os sócios e os voluntários.
Como pode fazer parte
O santuário existe porque há pessoas que o sustentam. Pode apadrinhar um residente, tornar-se sócio, vir como voluntário ou fazer um donativo. E pode sempre visitar-nos, com marcação, para conhecer quem cá vive.




